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Como interpretar um SIGMET?

Publicado em 20 de janeiro de 2026

À primeira vista, as mensagens SIGMET (Significant Meteorological Information) podem parecer complexas, principalmente por conta de sua estrutura compacta e do uso intenso de abreviações. No entanto, apesar dessa impressão inicial, elas são relativamente simples de interpretar e constituem ferramentas cruciais para a segurança de voo.

Por isso, este artigo foi desenvolvido como um guia claro e acessível para ajudar pilotos a entender e interpretar corretamente as mensagens SIGMET, destacando sua importância no planejamento e na execução de um voo seguro.

O que é um SIGMET?

O SIGMET é uma mensagem meteorológica emitida para alertar sobre a ocorrência ou previsão de fenômenos em rota que possam afetar a segurança das operações aéreas. Diferentemente, por exemplo, de boletins como METAR e TAF, que se concentram nas condições de um aeródromo específico, o SIGMET destina-se ao voo de cruzeiro, em toda uma ampla área.

Além disso, sua estrutura padronizada utiliza linguagem clara e abreviações para comunicar, de forma eficiente, a natureza e a evolução de condições perigosas. Entre os principais fenômenos cobertos por um SIGMET estão áreas de tempestades, turbulência e formação de gelo severa.

Onde consultar as mensagens SIGMET?

No Brasil, as mensagens SIGMET são oficialmente disseminadas pelo Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA) sempre que um dos fenômenos perigosos listados acima ocorre ou está previsto para ocorrer dentro de uma determinada Região de Informação de Voo (FIR). Assim que publicada, a informação é disponibilizada na NexAtlas, facilitando o acesso do piloto.

SIGMET na plataforma NexAtlas
SIGMET na NexAtlas

Qual é a validade das mensagens?

O período de validade de um SIGMET costuma ser de até 4 horas. No entanto, excepcionalmente para SIGMET de ciclones tropicais e de cinzas vulcânicas, o período pode se estender até 6 horas. Esses padrões são definidos pela regulamentação aeronáutica, especificamente na ICA 105-17.

Como ler um SIGMET?

Para facilitar o entendimento, considere o seguinte exemplo:

SIGMET SBBS VALID 191530/191930
EMBD TS TOP FL470 MOV NE 20KT INTSF

Temos:

Área afetada e validade

Os primeiros campos identificam a área de abrangência, a validade e a origem da mensagem.

  • Indicador da FIR: mostra a qual Região de Informação de Voo (FIR) a mensagem se refere. Por exemplo: SBBS (FIR Brasília).
  • Período de validade: informa o dia e o horário (em UTC) de início e término da validade da mensagem. Por exemplo: VALID 191530/191930 (válido do dia 19, das 15:30Z, até o dia 19, às 19:30Z).

Tipo de fenômeno reportado

Em seguida, este campo descreve o fenômeno meteorológico e informa seu status.

  • Descrição do fenômeno: utiliza abreviações padronizadas para descrever o tempo severo. Por exemplo: EMBD TS (tempestades embutidas em outras camadas de nuvens).

Outras possibilidades incluem:
TS – Tempestades (Thunderstorm)
SEV TURB – Turbulência severa (Severe Turbulence)
SEV ICE – Formação de gelo severa (Severe Icing)
TC – Ciclone tropical (tropical cyclone)
VA – Cinzas vulcânicas (Volcanic Ash)
RDOACT CLD – Nuvem radioativa (Radioactive Cloud)

  • Status do fenômeno (opcional): indica se o fenômeno é OBS (observado), FCST (previsto), ou ambos. A designação OBS AND FCST indica um fenômeno que já está ocorrendo e tem sua continuidade prevista durante o período de validade da mensagem.

Intensidade e movimento do fenômeno

Por fim, os últimos campos detalham a localização exata, a altitude, o deslocamento e a evolução da intensidade do fenômeno.

  • Limite vertical (altitude): informa o topo (TOP) ou a camada de voo onde o fenômeno ocorre. Por exemplo: TOP FL470 (topo no nível de voo 470) ou FL140/220 (entre os níveis de voo 140 e 220).
  • Movimento: descreve o deslocamento do sistema. Por exemplo: MOV NE 20KT (movendo-se para nordeste com velocidade de 20 nós) ou STNR (estacionário).
  • Evolução da intensidade: prevê a mudança de intensidade do fenômeno. Por exemplo: INTSF (intensificando), WKN (enfraquecendo) ou NC (sem mudança significativa).

Principais fenômenos descritos em um SIGMET

4.1. Tempestades (TS)

Reporta trovoadas (tempestades), que podem estar isoladas, organizadas em linhas ou, como no exemplo EMBD TS, embutidas em outras camadas de nuvens. Por isso, são particularmente perigosas por agregarem múltiplos riscos: turbulência severa, formação de gelo, granizo e descargas elétricas.

4.2. Turbulência severa (SEV TURB)

Alerta para a ocorrência ou previsão de turbulência severa, que pode causar abruptas variações de altitude e causar desgastes na estrutura da aeronave. Assim, este fenômeno representa um risco significativo à segurança e ao conforto do voo, devendo ser evitado.

4.3. Gelo severo (SEV ICE)

Informa sobre áreas com formação severa de gelo na estrutura da aeronave. Esse acúmulo altera a aerodinâmica e pode levar à rápida perda de sustentação ou até à parada do motor.

4.4. Ciclone tropical (TC)

Reporta a ocorrência ou previsão de ciclone, um fenômeno meteorológico que pode afetar a segurança das operações aéreas. 

4.5 Cinzas vulcânicas (VA)

Alerta sobre nuvens de cinzas vulcânicas. As partículas são abrasivas e, ao serem ingeridas pelos motores, podem derreter e solidificar em seus componentes internos, causando falha total. 

4.5. Nuvens radioativas (RDOACT CLD)

Descreve a ocorrência ou previsão de nuvens radioativas, categorizadas como fenômenos na atmosfera que podem afetar a segurança das operações aéreas. 

Como usar o SIGMET no planejamento do voo

Mais do que um simples alerta, o SIGMET funciona como uma ferramenta estratégica, pois oferece ao piloto uma visão detalhada da ameaça: sua área de abrangência (latitude/longitude), sua camada vertical (altitude) e sua evolução no tempo (movimento e intensidade).
Dessa forma, durante o planejamento, a análise dos SIGMETs válidos para a rota permite traçar estratégias de desvio que podem ser laterais (contornar a área), verticais (voar acima ou abaixo da camada de fenômeno) ou temporais (ajustar o horário da passagem). Essa visão completa transforma a tomada de decisão de reativa para proativa, garantindo a segurança da operação.

Como consultar o SIGMET na NexAtlas

Para facilitar ainda mais a visualização e o planejamento, a plataforma NexAtlas integra os avisos SIGMET diretamente no mapa de navegação. Assim, você pode visualizar as áreas de tempo adverso sobrepostas à rota de forma gráfica e intuitiva.

Siga os passos abaixo para ativar a camada SIGMET:

1. Primeiramente, abra o aplicativo NexAtlas em seu dispositivo (tablet ou celular).

2. Em seguida, acesse o menu de camadas (geralmente um ícone no canto da tela).

3. Logo depois, procure pela opção “SIGMET” na lista de camadas meteorológicas disponíveis.

4. Por fim, ative a camada SIGMET para que as informações sejam sobrepostas ao mapa.

SIGMET na NexAtlas
SIGMET na NexAtlas

Com essa funcionalidade, o piloto pode visualizar instantaneamente se a rota planejada cruza alguma área de tempo severo e, assim, garantir que o planejamento e a tomada de decisão em voo sejam mais informados, conscientes e seguros.

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